lus@rte

Só na Arte existe salvação.

Sunday, January 28, 2007

Numb

...dos Pet Shop boys

(A minha música de início de ano).
Não quero ouvir as notícias. O que acontece, o que vem. Não quero saber, não quero saber. Só quero encontrar uma maneira de fugir, de estar só. Parece que vi demais, parece que senti demais, há demasiadas histórias na minha cabeça. Por um pouco quero esquecer. Quero chegar a casa e fechar a porta. Não quero pensar, não quero sentir nada. Quero estar dormente. Não quero sentir mais esta dor. Há demasiada luz, há demasiado som. Quero apagar, quero calar...Quero fugir desta dor. Estou prestes a perder a razão...
Por um pouco, por um pouco, só quero estar dormente.

Sunday, December 31, 2006

DOZE "PASSAS" PARA 2007

Se é verdade que não podemos mudar ninguém, ao menos podemos mudar-nos a nós mesmos.
Todos os anos escrevo no meu moleskine algumas dessas pequenas grandes mudanças que fazem toda a diferença. Este ano registo-as aqui sob a forma de mais e menos.

Seis +:
Escrever
Ler
Dançar
Rir
Arrumar
Cozinhar

Seis - :
Pensar em ti
Procurar-te
Esperar-te
Chorar-te
Desejar-te
Transgredir-me



Thursday, December 14, 2006



HÁ VINTE E UM ANOS, O PRIMEIRO DIA...

Saturday, November 25, 2006

Encontro em Samatra

Ontem chovia a cântaros e o vento ameaçava destruir tudo quando vinha no caminho para casa. Sentia o coração apertado e mais ainda ficou quando o telemóvel tocou àquelas horas pouco habituais de receber um telefonema dele. Atendi e logo confirmei a minha inquietação:
- Mãe, aconteceu uma coisa horrível...
Ainda pensei que se tratasse de um fracasso na apresentação do projecto, ou talvez mais um daqueles desesperos amorosos que o tinham deixado arrasado semanas atrás. Aos vinte tudo o que nos acontece, zangas, traições, insucessos, adquire a dimensão fulminante de uma tragédia. Infelizmente era mesmo uma tragédia.
-Morreu um amigo meu do Erasmus, um francês...foi encontrado morto, hoje, com a carteira e o telemóvel...Oh, mãe, ainda ontem à noite estivemos a conversar até tarde na faculdade, partilhámos ideias, eu emprestei-lhe material para a maqueta...depois ele foi a uma festa, eu fiquei porque queria adiantar trabalho para descansar no fim-de-semana...
Não sabia como consolá-lo, mas lá fui dizendo entre espaços de silêncio cúmplice:
-Eu compreendo, é terrível, mas é importante que façam a autópsia para compreender o que se passou...Sei que é difícil... conversem uns com os outros, é importante estarem juntos neste momento.
-Ainda ontem ele estava vivo, aqui, a rir, cheio de projectos. E, hoje, foi insuportável ver a maqueta dele (interessantíssima) inacabada sobre a mesa. Não sei se percebes, mas com ele morreu em mim muita coisa...
Compreendo sim...A ilusão da imortalidade, de que a morte é uma ficção que só acontece no écran. Apetece-me contar-te uma história, desde sempre que esta é a minha estratégia para te fazer compreender as coisas, para te sossegar. Já a conheces mas vou lembrar-ta, é de Lorca. É mais ou menos assim:
Em tempos antigos, vivia um senhor muito rico que tinha um criado. Um dia o criado foi ao mercado e cruzou-se com a Morte que o olhou fixamente. O criado correu para casa assustado e disse:
- Meu amo, acabo de ver a Morte no mercado que me olhou fixamente. Ela vem buscar-nos, estou certo. Partamos já para Samatra.
-Fica calmo que eu vou falar com ela.
- Não, meu amo, perdoai-me mas eu parto já para Samatra.
O amo foi ao mercado e encontrando a Morte perguntou-lhe:
- Morte, posso perguntar-te porque assustaste tanto o meu criado?
- Na verdade, eu não pretendi assustá-lo. Fiquei só admirada de o ver aqui, porque ainda hoje tenho um encontro com ele em Samatra.

Thursday, November 23, 2006

Je t' aime, Paris

Sabe sempre bem lá voltar desta vez para conhecer Estórias em locais com história. Percorrer o Quartier Latin, Marais, Pigalle, Madeleine...Faltou só mesmo o meu sítio, Place des Vosges, também lá tenho guardada a minha aventura para quando lá nos reencontrarmos.

Sunday, October 29, 2006

O amante é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é amor
O amor que deveras sente

Disseste-me:
- Vamos apanhar o barco para Porto Brandão.
Eatava um daqueles dias de começo de Inverno, em que o sol nos saudava por detrás de uma nuvem e o frio arrepiava a pele num toque lascivo.
Ficámos juntinhos, bem encostados um ao outro no banco detrás. Demos as mãos desesperadamente. Foi então que me segredaste:
- Vamos fingir que estamos muito apaixonados.
Acariciaste-me o cabelo, afastando as madeixas dos olhos e começaste-me a beijar, primeiro na cara, de um e outro lado, e depois lentamente os nossos lábios encontraram o caminho do mar.
Fomos assim, toda a travessia. De quando em quando sorrias, fazias mais uma festa, uma carícia, e logo um beijo mais demorado.
Quando voltámos afirmaste :
- Um dia ainda havemos de atravessar o rio verdadeiramente apaixonados.
Tu tinhas um avião para apanhar para Berlim. Eu, de volta no comboio das sete, à minha realidade, pensei que todos os momentos de felicidade autêntica são sempre assim: promessas de um bem maior.

Sunday, October 15, 2006

VOLVER

Ao calcorrear leve pelas ruas da cidade, à chuva miudinha, ao trilho conhecido de um eléctrico, ao agasalho de um bar, aos encontros adiados, à festa prometida no abraço que se deu, ao sorriso imprevisto pela manhã, aos passos de dança, aos gestos pelo meio, ao argumento de um livro, às cenas de um filme, às conversas cruzadas. Volver aqui.